Medida certa

Veterinária Alerta: não há Nada de Fofo em um Cachorro Gordinho

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Esse texto foi escrito originalmente pela Dra. Katy Nelson, veterinária no Belle Haven Animal Medical Centre, na Virgínia, EUA. Ela também é apresentadora do “The Pet Show with Dr. Katy”, que vai ao ar na TV americana, em Washington.

Então você chega tranquilo ao consultório veterinário para o exame anual do seu cachorro. Tudo vai bem até que o médico diz uma das palavras mais temidas pelos donos de cães: obesidade.

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Você fica um pouco atordoado. A sala começa a girar… Ela deve ter se confundido com as palavras, certo? Fifi não é gorda, só está muito peluda. Uma tosa vai dar um jeito nisso. É normal depois das festas de fim de ano. Você machucou o tornozelo e não conseguiu levá-la pra passear mais vezes. Seu marido/filho/filha/cunhada andaram dando muitos petiscos a ela ultimamente. Ela com toda a certeza não está com sobrepeso. Porém o pescoço dela está cheio de dobrinhas. E é tão engraçado quando ela rola no chão e dá pra ver aquela barriguinha saliente. É isso, né? Ela tá saudável, não?

Hmmm… Infelizmente a resposta pra essa pergunta é “não”.

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Por muitos anos víamos a células de gordura como um pequeno depósito benigno de armazenamento de excesso de calorias. Só que hoje sabemos que essas células de gordura são, na verdade, tipo uma fábrica de hormônios, produzindo mais de 50 tipos de proteínas e substâncias – incluindo leptina, o fator de necrose tumoral alfa, que é um grupo de citocinas capaz de provocar a morte de células tumorais e possuem ações pró-inflamatórias. Elas podem causar resistência à insulina e grande impacto na nas células cardiovasculares e nos músculos e esqueleto.

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Quando o número de células de gordura cresce, também aumentam os riscos de inflamação pelo corpo todo. Isso pode causar doenças no coração, diabete, artrite e até câncer. Nada fofo, né?

Foi por isso que banimos palavras como rechonchudo, cheinho, bolinha, barril e outras do tipo do meu consultório. A gente não fala sobre câncer nesses termos fofinhos, então não dá pra se referir a um problema sério dessa forma. Isso acaba não dando a devida dimensão do impacto da obesidade nos cães.

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É desconfortável para ambas as partes, acredite. Cerca de 65% dos americanos (52,5% no Brasil) estão acima do peso e nossos bichos de estimação estão indo pelo mesmo caminho. De acordo com a Association for Pet Obesity Prevention (associação pela prevenção da obesidade em animais de estimação) mais de 57% dos cães 53% dos gatos têm sobrepeso.

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Por isso, donos de cães, quando alguém disser que seu animalzinho está gordo, não fique ofendido. Eles não estão chamando você de dono desleixado. Eles não estão pedindo que você justifique o peso do seu cachorro. Não leve como algo pessoal, isso é bem menos ruim do que ouvir do veterinário um diagnóstico de doença séria.

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Aliás, obesidade é exatamente isso: um diagnóstico. Ouça como qualquer outro e trabalhe junto com seu veterinário para criar um plano de tratamento. Você pode chegar ao fim dele com muitos anos felizes ao lado do seu amiguinho. Não é isso o que a gente realmente quer.

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Um longo estudo feito com 48 Labradores de 7 ninhadas diferentes foram divididos em dois grupos de dieta. Um grupo foi alimentado com uma dieta normal para adultos e outro com a mesma dieta, só que com 75% da quantidade. Este grupo viveu em média 1,8 anos a mais, pesavam menos, tinham condições físicas mais favoráveis e apresentavam respostas melhores a tratamentos de doenças. Uma evidência de que peso não está somente relacionado à qualidade de vida, mas também à longevidade.

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É por isso que falar sobre peso com o veterinário é tão importante. Se você acha que seu pet pode ter algum problema de peso, fale sobre isso com seu veterinário. Ele vai verificar, fazer as avaliações e dizer se realmente há algum sobrepeso ou não.

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E também tire um tempo para rever a sua relação com seu cachorro, afinal eles não engordam sozinhos. Anda dando muitos petiscos a ele, colocando aquela porção extra de ração na tigela porque seu cão é um “bom menino”, dá um pouco das suas guloseimas a ele? Por que não agradar seu cachorro de outra forma? Um passeio, uma brincadeira no quintal… Há sempre opções mais saudáveis.

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O ponto é: se você quer que seu cachorro tenha uma vida longa e saudável, não ignore se o veterinário disser que seu Pug está rechonchudo, ou seu Golden tá cheinho, ou sua Dachshund ficou gordinha. A melhor coisa que você pode fazer pelo seu cachorro é mantê-lo magro e elegante para que ele viva bem.

As imagens desse post são do Instagram @rogerthesausagedog, um Dachshund de 8 anos que está em tratamento contra a obesidade. Roger já está perto de ficar abaixo dos 9kg! Força, Rô! Você vai conseguir.