CRISE NO RELACIONAMENTO

Como Conseguimos Salvar o Relacionamento Desgastado entre um Cão e um Gato

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O casamento entre a uma gata e uma cadela estava desgastado. Bom, não era exatamente um casamento, mas isso é apenas a ponta do iceberg. Elas têm sido rudes uma com a outra, ficam se provocando de propósito. Parece que elas definitivamente não se dão bem. Chegou a hora de ajudar.

Uma gata de saco cheio

Uma gata de saco cheio

Foi uma missão difícil. Primeiro, vamos conhecer a dupla?

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Gilda Radner:

-Apelido:Gil
-Fêmea
-Idade: 3
-Mistura de Pastor Alemão com Collie
-Teve uma vida difícil morando na rua
-Adotada em janeiro de 2016
-É a filhinha do papai
-Gosta de: esquilos, roubar pães na despensa da cozinha, carinhos na cabeça, colo
-Não gosta de: coleira, ser proibida de comer a comida da Marti, o buldogue do vizinho

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Martina McBride:

-Apelido: Marti
-Fêmea
-Idade: 3
-Gato alaranjado de 6 dedos. Tem alopécia (queda de pelo, inclusive algumas partes do corpo ficam constantemente carecas)
-Foi abandonada pelos donos antigos em um abrigo
-Adotada em maio de 2015
-Filhinha da mamãe
-Gosta de: roubar canudos de copos, brincar com canudos, carinhos no focinho, colo
-Não gosta de: movimentos abruptos, guitarras, ser alimentada na hora errada

O que fizemos:

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Fomos checar imediatamente quais eram os problemas. Gilda se mostrou bastante interessada, balançou o rabo, enquanto Marti se escondia no armário para evitá-la. Mas conseguimos convencer a Marti a se juntar a nós.

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Ok, agora estamos conversando!

Ainda que Marti não estivesse totalmente confortável de tocar a amiga ou até ficar próxima a por uns dois metros, ela foi facilmente convencida quando conseguiu um colo. Foi uma manobra arriscada, mas deu certo.

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Agora que elas estavam juntas no mesmo quarto, era a hora. Tentei começar uma conversa para entender como cada uma estava se sentindo nessa relação. Gilda dava a entender que ela era a única que se entregava à relação e estava exausta de ser a que trazia a alegria para o relacionamento.

Depois de ouvir isso, Marti revirou os olhos.

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Um gesto hostil como esse deve ser repreendido. Quis saber se Marti tinha algo a dizer, mas ele se recusou a interagir. Ao invés de forçá-la a falar antes de se sentir pronta, pedi que ela compartilhasse seus sentimentos escrevendo. Ela então fez uma lista.

O que havia na lista?

-“Vá com calma, Gilda. Não seja tão bruta. Fico assustada, já que sou bem menor que você.”

-“Por favor me deixe comer minha própria comida e não pegue da minha tigela. Você tem sua própria comida e própria tigela”

-“Pare de ser tão gananciosa querendo a atenção da mamãe e do papai. Às vezes quero ficar com eles sozinha, sabe?”

-“Por favor por favor por favor não aja como se quisesse me devorar viva TÁ?”

Infelizmente a Gilda não aceitou muito bem essa lista. Ele disse que estava aberta a críticas construtivas, mas mesmo quando as ouviu, ela fechou a cara. Começou a ter um comportamento passivo-agressivo e ficou em silêncio.

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Fria como o gelo.

Enquanto eu observava o desenrolar de tudo, não pude deixar de notar que a grande origem do problema entre as duas era apenas uma: a falta de confiança.

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Fiz um teste. Segurei a Marti no alto, acima da cabeça da Gilda. Claro que seria cruel solta a gata em cima da cabeça da Gil. Elas sabiam que eu jamais faria isso. Eu só precisava que elas acreditassem por algum momento que eu poderia fazer isso.

A energia estava tensa. Comecei a contagem. “Aí vai. Prontas? Um… dois…”

Mas, ao invés de dizer “três”, eu gritei: BRINCADEIRA!

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RÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

E coloquei a Marti segura em cima de uma mesa.

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Uma foto tirada momentos após a brincadeira.

Elas ficaram impressionadas. Marti ficou grata e Gil confusa, se perguntando por que eu abortei a operação Teste de Confiança. Pedi para elas se sentarem e pensarem por um tempo nessa experiência. Esperava que essa situação tenha reatado uma ligação que um dia existiu entre elas.

Passaram-se apenas alguns minutos e eu perguntei o que elas aprenderam com essa experiência. Mas antes que uma delas respondesse a porta da casa se abriu repentinamente. Papai havia chegado em casa.

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NÃÃÃÃÃÃOOO

GIlda não se conteve e foi fazer a festa para o pai, enquanto Marti saiu rapidamente do quarto, provavelmente indo se esconder no armário novamente. Eu estava achando que havia conseguido fazer progresso, mas as duas mostraram que ainda não conseguiam dividir o mesmo ambiente. Minha mãe ia ficar desapontada comigo. 🙁

CORTA PARA DUAS HORAS DEPOIS:

Numa terapia, os profissionais não têm a mesma vantagem de morar com seus clientes. Isso não seria permitido, certo? Mas o fato é que elas moram comigo e isso até que foi bom, pois se não eu teria perdido isso…

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TODOS COMEMORAM!

Ok. Eu sei que parece um momento trivial, mas para essas duas é algo BEM significativo. Talvez elas nem sempre vão se dar bem (na verdade, raramente). Mas há algum tipo de afeto que se revela às vezes e isso é um começo. Claro que a minha tentativa terapêutica com minha cadela e minha gata não serviu para solucionar os problemas, mas posso dizer que elas não vão se afastar por completo.

Três dias após a terapia e estamos muito bem, obrigada.

Três dias após a terapia e estamos muito bem, obrigada.

O importante é tentar sempre fazer com que cada um respeite o espaço do outro. Podemos dizer que, aos poucos, a relação ficará cada vez mais saudável, ainda que elas não tenham que necessariamente ser amigas.

E você? Também tem alguma história de problemas de relacionamento entre seus bichinhos de estimação? Conta aí nos comentários e compartilhe suas dicas conosco!

Essa história é da Allison Spence Brown, redatora do Bark Post.