Pastoreiando nos EUA

Encantador dos Pastores Alemães – Entrevista com o Augusto de Oliveira

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Descobrimos, através de algumas matérias dos Estados Unidos, um adestrador que vive no estado de Massachusetts, e que é filho de brasileiros, criado no Brasil, onde ele descobriu o amor por animais, e principalmente, os cães! O nome dele é Augusto de Oliveira, e ele topou uma entrevista com a gente, contando um pouco de como ele começou a trabalhar com isso, a história de vida dele, e o trabalho dele com cães, principalmente pastores alemães.

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BP: Me conta um pouco da sua infância, onde que você morava?

AD: Eu nasci em Hyannis, MA, nos Estados Unidos mesmo. Os meus pais voltaram para o Brasil comigo quando eu tinha 2 anos, e eu fui criado em uma fazenda em Santa Leopoldina, no Espírito Santo.

BP: Como o seu amor por cães surgiu?

AD: Desde quando eu era bem pequeno, eu sempre amei os animais. Minha família até pensava que eu amava os animais um pouco de mais (risos).

BP: Como foi o seu aprendizado com o adestramento de cães? Teve algum treinamento?

AD: Eu aprendi sozinho enquanto morava na fazenda, no meio do mato, com muitos cães. Sem internet ou telefone, eu passava quase o tempo todo treinando os cães. Quando eu fiz 12 anos, eu comecei a trabalhar com um adestrador, onde eu aperfeiçoei o meu jeito de treinar cães.

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BP: Porque pastores alemães? Você só tem cães desta raça ou tem outros?

AD: Eu amo todas as raças mas o pastor alemão não tem comparação! Eles são muito inteligentes e protetores das famílias deles, mas ao mesmo tempo, são dóceis com todos, se forem treinados e socializados desde novos. Eu treino todas as raças, trabalho com clientes nos EUA inteiro, mas eu só tenho e crio pastores.

BP: Quantos cães você tem? São todos pastores alemães?

AD: Eu tenho 15 pastores alemães no momento.

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BP: Que tipo de trabalho que você faz hoje com cães?

AD: Eu treino cães para serem obedientes, mas trabalho mais com cães que são agressivos, e desobedientes. Como muitos adestradores não conseguem ajudar os clientes que tem esses tipos de cães, eu viajo pelo os Estados Unidos afora, ajudando estes clientes. Isto acaba ajudando a salvar as vidas destes cães, que seriam levados para um canil onde são mortos, porque os donos ou adestradores não conseguem se aproximarem deles ou treiná-los. Estes cães na realidade, só precisam de alguém que entende eles. Eu ensino os meus clientes à serem este “alguém”, e a partir daí, eles podem continuar trabalhado com os cães deles.

BP: Como você começou este trabalho?

AD: Eu vim para os Estados Unidos só pra visitar, porque a minha família insistiu. Eu trabalhei um tempo lavando pratos em um restaurante, mas assim que eu adotei a minha primeira cachorrinha, surgiu uma fila de gente me procurando, para ajudar com os cães deles, depois que viram o que eu conseguia fazer com a minha.

BP: Conta um pouco mais da Griffin Shepherd Kennels e sua situação hoje em dia?

AD: Quando eu comecei a ficar envolvido com pessoas com cães aqui nos EUA, eu resolvi ficar por aqui mesmo. Eu comprei o meu primeiro pastor alemão para começar uma criação. O sobrenome do meu namorado é Griffin, então chamei esse cão de Griffin, e depois batizei o meu de canil Griffin Shepherd Kennels, porque o Griffin é o meu cão “original”, onde tudo começou com a minha criação. Eu crio filhotes registrados, e também vendo os filhotes já treinados para aqueles que não sabem como treinar, ou não tem tempo pra criar cães. Demorou um tempo para chegar onde estou agora, mas finalmente tenho tudo que preciso para os meus cães. Moramos em uma fazenda de 100 hectares, e tenho uma licença para ter até 20 cães adultos na minha casa. Tenho compradores que atravessam o país para comprar um dos meus filhotes.

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BP: Você já teve alguma situação em que o cachorro que você estava trabalhando era muito violento para controlar? Pode explicar um pouco, se tiver um caso desses pra contar? 

AD: Eu já encontrei alguns cachorros que eram bem violentos e bem dificeis de controlar.  Mas nunca encontrei um que eu não conseguisse controlar. Um exemplo de um bem violento, foi o Rocco (veja fotos abaixo). A dona dele ficou super agradecida, e no depoimento dela disse: 

Mandei o Rocco para ele em fevereiro, porque ele é super agressivo. Todos os outros adestradores que tentei não aceitavam o Rocco, mas o Augusto ficou com ele e os cães dele, para o Rocco superar a agressão dele, separando ele de outros cães e clientes. Nunca vi nenhum sinal de abuso, eu mantive contato direto com o Augusto quase todos os dias, e falávamos sobre o progresso do Rocco. O amor do Augusto por animais e especialmente pastores alemães, é tão evidente que brilha. Busquei o Rocco 3 semanas depois e ele está indo super bem! Ele não está mais agressivo quando se espanta, e é um cão maravilhoso. Um cão que eu sempre soube que esteve lá, mas como eu disse, só o Augusto teve coragem de cuidar dele. Ele realmente salvou o Rocco. O Rocco voltou adestrado e melhor que nunca.       

Rocco Antes

Rocco Antes

Rocco Depois

Rocco Depois

 

BP: Além do Rocco, você já teve alguma experiência muito marcante no adestramento de algum cão?

AD: Muitas das minhas experiências treinando cães são bem marcantes. Só de treinar cães que os outros treinadores não querem adestrar, trazer esperanças para os donos de cães violentos e descontrolados, então muitos dos meus clientes acabam virando os meus amigos pra sempre. É realmente muito maravilhoso poder ajudar tanta gente com os cães deles, que são seres tão importantes nas vidas deles.

BP: O que são algumas dicas que você daria para pessoas que estão com dificuldades em controlar os seus cães descontrolados ou violentos?

AD: Se você tiver um cão completamente descontrolado ou violento, eu recomendo você procurar ajuda de um treinador profissional. Estes cães precisam de alguém que entende eles. E você também precisa de alguém que possa te ensinar a entender o seu cão.

BP: Você pretende voltar para o Brasil no futuro próximo? Caso sim, pretende trabalhar com a mesma coisa?

AD: Eu não tenho planos de voltar pro Brasil definitivamente por enquanto, mas pretendo sim, visitar, e provavelmente trabalhar com cães enquanto estiver por aí também (risos). Se eu realmente fosse voltar para o Brasil, eu queria ser um fazendeiro, e trabalhar com cães também! Pra mim seria a melhor vida possível.

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*Imagens via as páginas do Augusto + Griffin Shepherd Kennels.